€1.60

Several butternut squashes are displayed with blue numbers written on them.

A erosão silenciosa do jornalismo

Auto-generated description: Two women on stage are smiling and sharing a microphone while performing at Meo Arena in Lisbon.

A Rosália dá dois concertos na MEO Arena, ambos esgotados. Não permite a presença de fotojornalistas em nenhum deles, tal como no resto da tour. Na prática, as únicas imagens que acabam por circular são as da sua própria produção (polidas e cuidadas, como é suposto) ou as das redes sociais — porque hoje toda a gente fotografa em todo o lado. Não surpreende, por isso, que a imagem que ilustra o artigo no Expresso seja um disparo de telemóvel publicado no Instagram.

Deixando de lado a discussão sobre o direito da artista em restringir o acesso a fotojornalistas (mas não a jornalistas), tudo isto — incluindo a forma como a imprensa lida com este e outros casos — revela duas coisas.

Primeiro, a evidente secundarização da fotografia como mera ilustração da notícia. Lembra o caso, há uns anos, de um jornal que dispensou os seus fotógrafos e passou a pedir aos jornalistas que fotografassem com iPhones, invocando até a qualidade final das imagens.

Segundo, a ainda maior secundarização da própria imprensa, cada vez mais reduzida a câmara de eco das redes sociais e das comunicações oficiais. Multiplicam-se os exemplos de notícias ilustradas com conteúdos de redes sociais — ou, pior, notícias que existem apenas porque “alguém disse algo” online: quem reagiu ao post de quem, quem comentou o quê. A isto soma-se a crescente dependência de conteúdos produzidos pelas próprias entidades (press releases, materiais promocionais, etc.).

Perante este cenário, impõe-se a pergunta: não estará o papel editorial da imprensa a tornar-se progressivamente irrelevante?

É que é assim que uma democracia vai morrendo.

59 e 39

Esta semana, no Público, saiu uma entrevista com o novo presidente da Carris, onde fala de coisas curiosas como, entre outras, aumentar a rede de elétricos.

Mas o que me chamou a atenção não foi isso, mas sim a foto principal, e em particular os autocarros que estão por trás, e que me causou um enorme “ataque de nostalgia”. E eu que nem sou de saudosismos…

Do lado direito, o monstro verde de dois andares que fazia a carreira 39, subindo penosamente em direção ao Príncipe Real vindo de São Bento, mesmo perto de casa quando cresci perto da Praça das Flores, e que eu fazia questão de sentar no primeiro andar logo no banco da frente, como acho que toda a gente faz num destes.

Do lado esquerdo, o laranja que fazia a carreira 59, muito provavelmente a coluna vertebral de grande parte da zona oriental de Lisboa, numa altura pré-Expo 98 em que era uma zona cortada do resto da cidade, e que por isso mesmo era de que dependia para ir para a secundária.

Não apenas os autocarros, já de si icónicos em Lisboa, mas também as duas carreiras que mais usei no século passado quando era jovem, tudo na mesma foto.

A person stands smiling in front of two vintage buses in a garage setting.

I’m Martin Parr day!

A poster for the film Eu Sou Martin Parr is displayed, featuring people enjoying a sunny outdoor setting.

A bit of adrenaline to start the day: a BIOS update!

Terminal window in a laptop with a BIOS update running, with the words "Do not turn off the computer during the update".

Snapshots from this week in Morocco, in many ways a week about nothing, but in a good way. Nothing fancy, just walking a few days in the desert, in the middle of nowhere, with absolutely nothing around, specially Internet connectivity.

A vast desert landscape features undulating sand dunes, a person walking, and a herd of animals in the distance under a clear blue sky.People leading camels loaded with goods across a sandy desert under a clear blue sky.A silhouette of a person stands on a hill under a twilight sky.A vast, sandy desert landscape is shown with undulating dunes under a clear blue sky.A solitary white tent stands amidst vast sand dunes under a dark, cloudy sky.People are sitting on a patterned rug, sharing tea from a teapot with small glasses, accompanied by a tray of snacks.A vast desert landscape features sand dunes under a clear blue sky, with a few distant figures and footprints in the sand.A person is walking along a sandy path lined with palm trees, viewed through an arched doorway with sandals by the entrance.

Zen moment of the day!

Hello Marrakesh! The fact that this is roughly a 1h flight from Lisbon never ceases to amaze me.

Aerial view of farmland and fields seen through an airplane window with a clear blue sky and clouds in the distance.

É uma sorte ter o MEF aqui à porta de casa. Este fim de semana aconteceu o Revela, um evento com várias apresentações ao longo deste fim-de-semana, e assim perto é ainda mais fácil. Finalmente consegui ver o bonito “Contra Maré” da Inês Ventura, e deu para rever os meus “companheiros de armas” Ângelo Lucas e Bruno Grilo, um com o seu vasto acervo da Palestina o outro com o trabalho em curso das festas de inverno de Trás-Os-Montes.

Um enorme cumprimento ao Luís (na foto) e à Tânia por estarem sempre a pôr de pé estas e outras coisas.

A speaker presents a slideshow of vintage photographs to an audience in a dimly lit room.

O que é que queijo tem a ver com votar? Tem tudo, quando a tua mesa de voto é mesmo ao lado da Feira do Relógio, e o teu ritual no dia de votação é meter a cruz no boletim e depois ir buscar queijo, legumes e fruta.

A deli display features hanging sausages, a handwritten sign for cheese, and a promotional poster with a van reflected in the glass.A group of people are reflected in the glass of a cheese display, with several wheels of cheese visible alongside their reflection.