A erosão silenciosa do jornalismo

Auto-generated description: Two women on stage are smiling and sharing a microphone while performing at Meo Arena in Lisbon.

A Rosália dá dois concertos na MEO Arena, ambos esgotados. Não permite a presença de fotojornalistas em nenhum deles, tal como no resto da tour. Na prática, as únicas imagens que acabam por circular são as da sua própria produção (polidas e cuidadas, como é suposto) ou as das redes sociais — porque hoje toda a gente fotografa em todo o lado. Não surpreende, por isso, que a imagem que ilustra o artigo no Expresso seja um disparo de telemóvel publicado no Instagram.

Deixando de lado a discussão sobre o direito da artista em restringir o acesso a fotojornalistas (mas não a jornalistas), tudo isto — incluindo a forma como a imprensa lida com este e outros casos — revela duas coisas.

Primeiro, a evidente secundarização da fotografia como mera ilustração da notícia. Lembra o caso, há uns anos, de um jornal que dispensou os seus fotógrafos e passou a pedir aos jornalistas que fotografassem com iPhones, invocando até a qualidade final das imagens.

Segundo, a ainda maior secundarização da própria imprensa, cada vez mais reduzida a câmara de eco das redes sociais e das comunicações oficiais. Multiplicam-se os exemplos de notícias ilustradas com conteúdos de redes sociais — ou, pior, notícias que existem apenas porque “alguém disse algo” online: quem reagiu ao post de quem, quem comentou o quê. A isto soma-se a crescente dependência de conteúdos produzidos pelas próprias entidades (press releases, materiais promocionais, etc.).

Perante este cenário, impõe-se a pergunta: não estará o papel editorial da imprensa a tornar-se progressivamente irrelevante?

É que é assim que uma democracia vai morrendo.

59 e 39

Esta semana, no Público, saiu uma entrevista com o novo presidente da Carris, onde fala de coisas curiosas como, entre outras, aumentar a rede de elétricos.

Mas o que me chamou a atenção não foi isso, mas sim a foto principal, e em particular os autocarros que estão por trás, e que me causou um enorme “ataque de nostalgia”. E eu que nem sou de saudosismos…

Do lado direito, o monstro verde de dois andares que fazia a carreira 39, subindo penosamente em direção ao Príncipe Real vindo de São Bento, mesmo perto de casa quando cresci perto da Praça das Flores, e que eu fazia questão de sentar no primeiro andar logo no banco da frente, como acho que toda a gente faz num destes.

Do lado esquerdo, o laranja que fazia a carreira 59, muito provavelmente a coluna vertebral de grande parte da zona oriental de Lisboa, numa altura pré-Expo 98 em que era uma zona cortada do resto da cidade, e que por isso mesmo era de que dependia para ir para a secundária.

Não apenas os autocarros, já de si icónicos em Lisboa, mas também as duas carreiras que mais usei no século passado quando era jovem, tudo na mesma foto.

A person stands smiling in front of two vintage buses in a garage setting.

"O direito internacional deve favorecer ditaduras?"

Na SIC Notícias um comentador diz, a propósito do ataque ao Irão, algo do género “O direito internacional deve favorecer ditaduras?”.

Na verdade, na verdade o “direito internacional” apenas favorece os interesses económicos e o equilíbrio de poder dos blocos envolvidos. Achar que o “direito internacional” se preocupa com os direitos humanos é ingénuo, ou deliberadamente alinhado com uma agenda.

Ainda sobre o Vini

No mesmo dia em que o Vincent Kompany dá uma lição a vários níveis sobre o que se passou esta semana no jogo da Champions, sabes-se que o Benfica prepara “medidas duras” para os adeptos que imitaram um macaco, podendo levar à expulsão. Nada contra, mas fica a sensação de saber a pouco, e mesmo dando o benefício da dúvida que o Prestianni nem tenha dito nada, tendo em conta que a reação oficial do clube foi um equivalente futebolístico de “eu até tenho um amigo preto”…

E já agora, eu acho o Vini Jr um jogador irritante e provocador, mas uma coisa não tem nada a ver com outra…

It's all about being intentional...

Usually I’m wary about advice from photography YouTubers, as often it’s either repurposing basic ideas or just silly, I think I’ve came across more YouTubers telling pros saying the only way to shoot is fully manual than pros that actually do that. But this one from Tom Calton kind of resonated with me, even with the silly stock footage that keeps appearing.

Taking lots of photos, by itself, doesn’t necessarily helps you improve. It’s more complex than that. Going out on a photo walk is basically collecting pictures. Obliviously this video resonates with me because in the last few months I’ve been in a very intense feedback loop, but also because I was already aware that me taking photos that end up in a pile wasn’t helping me improve.

It’s all about being intentional, understanding what you want and don’t want to shoot, being deliberate and not just casual. And for that getting feedback is crucial, but first and foremost actually looking to the work and being able to say “I need to do more of this”.

Why “Just Shoot More” Is Making You WORSE!

More fiction, less reality. Kind of a resolution for this year

I was reading recently that men nowadays read less and less fiction. I’m one of them… My reading habits have been quite crappy in the last years, and in the few things I do read fiction is only a small part. And it’s kind of the same regarding things I see: more documentaries than stories. I’m not much into New Year Day resolutions, actually I find the slow weeks of January and February the best to reflect on what’s ahead, but one thing I’m aiming for the future is more fiction and less reality. More stories and movies, less articles and documentaries. The world around is messed up, I need both to take a break from it and get inspiration elsewhere to handle it.

Why t3mujin?

People ask me this every once in a while, where does your nickname comes from? Well, it’s quite simple and it goes back to the beginning of the Internet.

The origin of name itself is straightforward: it’s the name of Genghis Khan.

Why I started using it? My name is very, very common in Portuguese, even in the early days of the world wide web was already getting hard to find an unique username wherever I registered online. So I picked this one, a bit by random, not that I’m a fan boy of the Mongols in particular, but I always been a history buff and I find them (and Genghis Khan) very interesting. And the 3 is there because I’m a nerd, and to make it even more unique.

And it stuck until today…

The Longest Night

Auto-generated description: A string of warm fairy lights is draped across a lace curtain with a dimly lit background.

The longest night of the year, the death of a cycle and the beginning of a new one. Happy Winter Solstice to all, and hope the light is born today lead us out of this strange times.

The Longest Night · Amenra

I lost the micro

Since the beginning my goal was to have my own custom domain around here, but it has been live for a long time without one. Between all other ongoing things this one fell behind, and I still wasn’t sure about which one to use. In the end it was simple:

t3mujin.micro.blog → t3mujin.blog

Dropping the micro, but the old one will still work!

Coisas bonitas que chegam na volta do correio!

Numa altura que a minha relação com o universo das viagens está meio que num estado amor/ódio, ser lançado algo que vai no caminho inverso do imediato e do rápido parece-me um raio de luz. Para saborear com calma, devagar.

Longa vida para a revista Primitiva!

A cardboard box labeled Primitiva features abstract geometric designs and text.Four boys dressed in red robes are joyfully gathered around a smartphone while standing outdoors.